E de repente, sentiu-se como nunca antes. Essa pessoa que chegara balançara seu mundo, transformava-lhe em alguém de 12 anos. Resgatou nele sensações que, por ora, pensava nunca mais sentir: eram como bichos no estômago; calores, frios e calafrios em todo o corpo.
Não estava pronto, mas estava preparado. Arrumou o quarto, as roupas, separou até uma camisa de botão para vê-la usando pela manhã. Aprendeu a cozinhar melhor e estava pronto para aprender a ser melhor também.
O amor que ela trouxe era um vazio. Era como se tivesse chegado, aberto um espaço em seu coração e reservado em seu nome, seus olhos, sua boca, seu sorriso, seus cabelos.
Talvez muitos amores sejam assim: um vazio à espera de que, quem o provocou, preencha.
Mas esse vazio, esse espaço enorme, que é abrigo, torna-se cansaço muito fácil. Porque esse amor não espera, não aguenta atrasos, não aguenta tratantes.
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