Pela intensidade - ou não - de alguns momentos, ficamos a duvidar se houve mesmo o que comumente chamamos de "isto" ou "aquilo".
(...)
Era um dia incomum para um encontro. Nada de roupas festivas, nada tão programado. Mas também não foi casual. Embalados ao som que quase era trilha sonora dos dois e sem nenhum espaço para silêncio, passaram horas a fio numa conversa instigante. Ela falava sobre família, relacionamentos e sua história. Ele, talvez nem lembre de tudo, pois não conseguia deixar de olhar o sorriso dela que o distraía.
Ao final do encontro, andaram numa praça e sentaram. Ficaram a observar o vai e vem de uma cidade agitada. Na hora de ir embora, sutilmente mostrou-se querer estar perto, e perto ficou. Lado a lado, ainda meio que embalados no mesmo som, pareciam estar em sincronia, num olhar sabiam o que estava por vir. Seus lábios se tocaram com ternura. Mas talvez não tenha sido beijo - ou só um beijo.
Talvez tenha sido como quando, na infância, a gente fecha os olhos e está tudo escuro, aquele momento em que nada mais se pensa - o que não ocorre mais ao fecharmos os olhos hoje.
Talvez tenha sido aquele frio na barriga ou aquele misto de frio e calor no peito - comum nas paixões adolescentes.
Ainda não se sabe se foi beijo ou um encontro de almas.
Mas dizem as boas línguas que, quando entra o "talvez", o amor pede a vez.
21:08


