Quando o "eu te amo" é dito todo dia perde o sentido, fica mecânico, parece bom dia. Quando o café é gostoso todo dia a gente coloca ele no nível de apenas bom.
Não que eu seja contra a rotina, mas o que nos eleva é a instabilidade. A diversidade. A briga. O amargo. A chuva. A poeira. A crítica. O não.
É necessário, na maioria das vezes, um tombo, um tropeço, uma turbulência pra gente não se distrair demais. É assim que se cresce.
Há quem diga que se distraindo a gente é feliz a vida inteira, mas ainda acho que esse é um tipo de alegria pobre. Carece de suspiro, de sorriso e do gosto da vitória.
A gente tem que saber o que é amargo para o doce fazer efeito na boca, na vida. Tem que saber o valor das coisas, o preço, senão banaliza.
Porque regalia quando vira costume parece obrigação.
E coração só fica parado em corpo morto.
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