4 de outubro de 2015

Seja um pouco cara de pau

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Tenho lembrado da infância mais que o comum ultimamente. Lembrei-me dia desses de que era hodierno brigar. Brigar mesmo, "sair na mão", ir rolando na areia. Mas o engraçado é que, dias depois, estávamos todos brincando novamente. Os mais velhos nos olhavam e diziam: olha a cara de pau, não tem vergonha não, briga, sai na mão, e no outro dia já estão assim.

Engraçado também é que os pais não se importavam, alguns ainda tomavam cerveja juntos, pois entendiam a fase.

Hoje em dia, depois de crescidos, perdemos a cara de pau. Travamos nossas brigas e criamos inimigos eternos. O rancor é a regra, o perdão exceção.

Costumo dizer que a dor ensina, mas é verdade também que ela endurece. Às vezes involuntariamente, outras não. Assisti um filme em que uma mulher, ao afirmar a inteligência de um homem, disse que, para ser tão inteligente, o mesmo certamente teria sofrido muito.

Inteligência e dureza não precisam estar juntas. Tudo bem que a gente não pode ser besta, mas ser um pouco cara de pau não faz mal de vez em quando.

Podemos ser mais Inteligentes hoje do que antes, mas mais feliz? Só sendo muito cara de pau mesmo.
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