Desde que comecei a escrever o que, com tamanha ousadia, digo que são crônicas, passei a enxergar todo o mundo de uma forma diferente. Passei a observar mais as pessoas, a natureza, as relações humanas e, consequentemente, a conversa dos outros. Nem tudo o que gera uma crônica é necessariamente o que escrevo. Por vezes altero os personagens, nomes, lugares e situações. Isso quando não conto nem a história, ponho uma metáfora a tento passar minha mensagem.
Então... metáforas. Amo as metáforas. Elas, por vezes, amansam um pouco as situações, nos fazem assimilar essa abstração à concretude, a realidade fática a qual estamos acometidos.
A questão é que nem sempre é uma metáfora. Nem sempre estamos nessa "viagem". A realidade e a arte por vezes se confundem. Foi o que aconteceu nesses últimos dias.
Explodiu nas redes sociais nessa última semana a peça "Macaquinhos", onde os atores exploram o ânus alheio. Exatamente isso que você leu: explorar o ânus alheio. Os atores andavam em círculos, um seguindo o ânus do outro sem dar nenhuma trégua. Já imaginou isso na realidade? Pessoas que andam em círculos, sem sair do lugar, pelo simples prazer de fiscalizar o ânus alheio? Que peça, que arte!
O acontecimento, por óbvio, abalou as estruturas da sociedade moralista brasileira, a qual repudiou e atacou o Governo por "patrocinar" o evento.
Segundo os idealizadores da performance, a montagem visa ampliar os conhecimentos do público sobre os conceitos de arte contemporânea.
A performance não me causou espanto, afinal, de tanto observar as pessoas, já vi várias fazendo hora extra sendo "fiscais de orifícios", profissão ainda não regulamentada, mas exercida por vários familiares, Deputados, vizinhos, "irmãos" e mais alguns freelas de plantão.
Ferreira Gullar disse que "A arte existe porque a vida não basta". Tô quase dizendo o contrário para fazer jus a realidade.
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