Essa semana cortei o meu dedo folheando um livro,
só senti quando vi a página suja de sangue, imediatamente, como de costume, fui
pegar o algodão e procurar algum remédio para passar, só tinha mertiolate, e
usei. Porém, ao não sentir nada, nem dor, nem incômodo, duvidei da eficácia do
tal remédio, tanto que fui procurar novamente para ver se encontrava ao menos
um álcool iodado, mas não encontrei. Desde garoto estava acostumado a usar
remédios que ardiam as feridas, e com isso passei a acreditar naquela máxima de
que, "para sarar, antes tem que doer".
Hoje em dia as coisas mudaram, ninguém quer sentir
dor, todo mundo quer um caminho mais curto para o local desejado, escolhem o
atalho, ou até a contramão (jeitinho brasileiro).
A velocidade, a pressa, o mais fácil, a cadeira ou
o sofá parece melhor, mais cômodo, mais simples. Os passos longos parecem
melhor, pular as etapas parece ser mais eficaz. Ninguém quer perder tempo com o
caminho, querem o destino.
Querem a vida eterna, mas não querem morrer para
tê-la;
Querem enriquecer, mas não querem estudar para tal;
Querem a carteira de motorista, mas as aulas
teóricas são um saco, não vão;
Querem confiança, mas não são confiáveis;
Querem um amor, mas não querem construí-lo a cada
amanhecer e anoitecer;
Querem aprender a tocar violão, mas no começo os
dedos doem, e param;
É necessário saber que para chegar a algum lugar,
ter algo, conquistar alguém, e obter êxito em todas as coisas da vida, é
necessário um caminho, talvez de dor, incômodo e decepções, mas são eles que
constroem o aprendizado e maturidade.
Pular etapas levam aos buracos, os atalhos à perdição
e a inércia a lugar nenhum.
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