16 de dezembro de 2014

Geração Mertiolate

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Essa semana cortei o meu dedo folheando um livro, só senti quando vi a página suja de sangue, imediatamente, como de costume, fui pegar o algodão e procurar algum remédio para passar, só tinha mertiolate, e usei. Porém, ao não sentir nada, nem dor, nem incômodo, duvidei da eficácia do tal remédio, tanto que fui procurar novamente para ver se encontrava ao menos um álcool iodado, mas não encontrei. Desde garoto estava acostumado a usar remédios que ardiam as feridas, e com isso passei a acreditar naquela máxima de que, "para sarar, antes tem que doer".

Hoje em dia as coisas mudaram, ninguém quer sentir dor, todo mundo quer um caminho mais curto para o local desejado, escolhem o atalho, ou até a contramão (jeitinho brasileiro).

A velocidade, a pressa, o mais fácil, a cadeira ou o sofá parece melhor, mais cômodo, mais simples. Os passos longos parecem melhor, pular as etapas parece ser mais eficaz. Ninguém quer perder tempo com o caminho, querem o destino.

Querem a vida eterna, mas não querem morrer para tê-la;

Querem enriquecer, mas não querem estudar para tal;

Querem a carteira de motorista, mas as aulas teóricas são um saco, não vão;

Querem confiança, mas não são confiáveis;

Querem um amor, mas não querem construí-lo a cada amanhecer e anoitecer;

Querem aprender a tocar violão, mas no começo os dedos doem, e param;

É necessário saber que para chegar a algum lugar, ter algo, conquistar alguém, e obter êxito em todas as coisas da vida, é necessário um caminho, talvez de dor, incômodo e decepções, mas são eles que constroem o aprendizado e maturidade.

Pular etapas levam aos buracos, os atalhos à perdição e a inércia a lugar nenhum.


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