15 de janeiro de 2015

Um sonho a um

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Pensei na Clarice quando vi você...

Calma, não é nada disso que você está pensando!

Eu estava com você, me perdendo no seu olhar. Você tão linda, com esse sorriso nos olhos e suas bochechas tão bem delineadas, mas não me bastava aquele momento, não bastava eu estar somente olhando para você. Eu queria mais, não tinha, mas queria, então sonhei. 

Sonhei porque a vida não basta!

Sonhei com você vestindo uma camisa minha, me olhando sorridente enquanto eu ficava na janela olhando o mar e tomando um café.

Sonhei com você tocando e cantando pra mim, seus dedos tão delicados e sua voz linda preenchendo os acordes.

Sonhei estar com você em outro lugar, amá-la em outro lugar, deitar com você em outro lugar, longe dali, talvez uma praia, uma casa no campo. 

Sonhei, e parecia tão real, confesso que até o seu toque senti, senti seu corpo colado com o meu, senti seu corpo se entregar ao sono, como se despencasse em meus braços.

Pensei em Clarice porque aquilo não fazia sentido, era e não era real, era uma verdade minha (e sua!). 

Obrigado Clarice, por dar nome ao que vivi com ela: uma verdade inventada.

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector LISPECTOR, C. Água Viva. Rio de Janeiro: Rocco. 1998. p. 17.


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