20 de outubro de 2015

Crônicas de buzu: a vestibulanda

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Hoje, por volta de 12/13h, quando ia ao estágio, encostou do meu lado no ônibus uma moça muito bonita, cheirosa e muito bem vestida com sua calça jeans, blusa azul e óculos espelhado. Fui sentindo seu cheiro por todo o percurso enquanto lia meu livro. 

Quando o ônibus passou pela Avenida Sete, sua amiga Vânia chegou, o nome da moça, inclusive, era Maiara.

Maiara concluiu o ensino médio, está tentando entrar na Federal para cursar medicina. Tenta há três anos e disse que, se não conseguisse esse ano, desistiria, por seus pais já se esforçaram bastante e ela também, porém, nunca tirou boas notas no ENEM para ser selecionada para o curso. Disse, ainda, que não consegue entender como é tão burra (palavras dela), pois tira notas péssimas em redação, que, como dizem por aí, é a parte mais importante.

Empolgado com a história de Maiara, guardei meu livro e continuei a escutá-la. Tudo bem, ela não estava falando comigo, mas estava ao meu lado, e não tem coisas tão interessantes para se fazer num ônibus em Salvador que não sei se parece um vulcão em erupção ou uma cidade com constantes terremotos.

Por vezes me senti incomodado para interromper e dizer que ela não é burra, mas sou péssimo com primeiros contatos, é uma das poucas hipóteses em que minha timidez aparece.

Não sei se essa mensagem chegará até Maiara e sua amiga Vânia, mas talvez existam muitas Maiaras por aí...

Só queria dizer, Maiara, que não, você não é burra. Você só não é boa em redação. Talvez você passe esse ano, consiga Medicina e lá na frente perceba que não era a sua, talvez você não passe, desista, siga outro rumo e se depare com algo que nunca pensou, mas que é a sua cara. Talvez você passe e seja uma ótima médica, e os três anos que você passou tentando tenha sido o tempo necessário para amadurecer antes de entrar no curso. Existem varias variáveis sobre essa questão, mas não, você não é burra, só não é boa no que estipularam como critério para conseguir determinado fim.

Então, Maiara, fique em paz. E como você mesmo disse, não para mim, mas para Vânia: Deus sabe de todas as coisas.

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