Embora seja como um lema de vida para alguns, não acredito no ditado "você colhe o que planta".
Não tive muita aproximação do meu avô paterno na infância, porém, ainda lembro de uma vez em que visitei sua roça e ele me apresentou o que, para mim, era um pé de laranja. No entanto, havia um problema: o pé de laranja não dava só laranja, dava também limões. Estranhei, e como todo garoto curioso, perguntei por quê. Meu avô disse que era por causa da enxertia.
"A enxertia dá origem a uma planta dividida em duas partes. A primeira é o enxerto, que produz os frutos da variedade desejada. E a segunda é o porta-enxerto, responsável por fornecer a planta com água e nutrientes..." (Link da informação: http://goo.gl/UsU1F1)
Então, segundo ele, isso (de dar mais de um fruto) às vezes ocorria quando realizada a enxertia.
Essa novidade não veio doce, mas muito azeda: um diabo de limão que parecia laranja, porque a vida não é um genuíno pé de laranja, mas uma planta que passou pela enxertia.
Muitas vezes não adianta o que você planta, você pode acabar colhendo algo diverso do que plantou. O amor que você põe ali pode não parecer amor para outro que vê, ou pode despertar um sentimento ruim em mais alguém e você pode vir a colher péssimos frutos por isso. A paz que você desejou e se esforçou para ter pode se transformar na Avenida Paralela em dia de Ensaio do Harmonia do Samba ou no Rio Vermelho em reforma.
Enfim, meus amigos, é por isso que nem sempre a gente colhe o que planta. Às vezes a gente planta laranja e colhe limões. Só nos resta fazer aquela velha limonada.
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