24 de março de 2016

É melhor sentir qualquer coisa do que não sentir nada

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Dia desses, conversando com uma amiga sobre "sentir tudo, ou nada", enquanto argumentava que não era de todo ruim sentir excessivamente, imaginei um episódio o qual passei quando era criança.

Brincando com minha irmã no quintal de minha casa, em Catu, quando era bem novo, acabei caindo de uma altura de apenas 30cm que resultou num fêmur quebrado. Lembro que chorei muito, porque a dor era insuportável. Já em casa, deitado numa cama a qual fiquei por meses, todos os dias enfiava a mão no gesso para sentir minha perna, lembro que o gesso me fazia coçá-la bastante. Era bom. 

Lembrava da dor que senti quando caí e, em cima da cama, nada sentindo, ia futucar a perna pra saber se estava tudo bem, se eu sentia a perna. Tinha medo de não mais sentí-las, ou de não mais poder andar. 

O que me assustava não era a dor que eu poderia vir a sentir enquanto mexia a perna ou coçava. O assustador era não sentir nada. É o que ainda me assusta. Vez ou outra reviro alguns baús no filtro da memória, só pra saber que há, ainda, a tão temida e querida sensibilidade, vulnerabilidade. Quando a sinto, sorrio. É bom mantê-la, ainda que isso venha a machucar um pouco. É melhor sentir qualquer coisa do que não sentir nada.

Vi, numa série que acompanho, um caso bem interessante, de um personagem que vivia um drama após ter sofrido um acidente e ter perdido a perna no mesmo. Trata-se da síndrome do membro fantasma. A pessoa tem seu membro amputado e ainda sente como se o mesmo ainda estivesse ali, experimentando, inclusive de dores e sensações anormais. 

Isso chega a quase que desconstruir tudo o que falei anteriormente, ou complementar. Talvez a dor nem sempre seja um aviso bom. Algo pode estar ali, mas também pode ter ido embora e continuar atormentando, como se fosse um fantasma.
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