Existe um jogo o qual no momento não lembro o nome, mas tenho a imagem dele em minha cabeça: duas pessoas segurando um cano transparente, uma bola dentro e um buraco bem no meio. Cada participante fica na ponta do cano soprando para que a bola chegue mais próximo do outro, ou para que o outro acabe engolindo essa bola.
Foi essa a imagem que veio a minha mente enquanto realizava um divórcio em que o casal canalizou no relacionamento um único problema e o atribuía ao outro. Cada um, do seu lado, jogava aquele problema no outro, e ninguém o queria assumir. Igualzinho ao jogo que citei.
A questão é que, nesse jogo deles, o quanto mais um jogava o problema para o outro, mais esse cano crescia, mais distantes eles ficavam um do outro, e o problema continuava ali.
Quando a gente dá importância demais a um problema e não resolve junto com quem a gente gosta, ele afasta, tira o fôlego, finda os suspiros, distancia. Se um sempre engole, uma hora perde o fôlego com aquilo na garganta e larga o cano. Não tem jeito, tem que resolver junto e logo. Todo mundo tem que ceder.
Então ali estavam, quase que desconhecidos de tão distantes.
O casamento deles era como um cano limpo transparente: tudo fluía, sabiam o que havia, se comunicavam como ninguém, mas deixaram a bola ficar entre eles, uma bola de "ninguém", que com certeza não entrou pelo buraco de cima.
Sem mais fôlego para soprarem o problema, assinaram os papéis.
Dia seguinte ligaram, juntos! Pediram que não fosse protocolado o pedido.
Por que? Juntos, viraram o cano para baixo, reconheceram e assumiram o problema, bola no chão. Em sincronia cederam. Em sincronia ligaram.
E os papéis? Ah, viraram bola não! Usei de rascunho pra escrever a história.
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