Dia desses vi a página de uma pessoa a qual conheci pelo Facebook há um tempo, mas não éramos mais amigos na rede social (provavelmente fui deletado). Alguma coisa aconteceu e eu não lembrava. Visitei o perfil e depois fui ler nossas antigas conversas. Identifiquei o problema e lembrei de uma frase que tanto é verdade que virou ditado: "quem bate esquece".
Eu tinha esquecido. Lembrei depois de ler tudo que tínhamos conversado. Pedi perdão. No entanto, pela resposta seca, meu pedido não foi aceito de coração (quem apanha não esquece e às vezes não perdoa). Mas de alguma forma fiquei em paz, por reconhecer que não era mais quem falou aquilo.
"As palavras saem quase sem querer", canta Vanessa da Mata. E o pior é que saem mesmo! E são, a esse tempo, a reprodução de quem somos, do que sentimos, do que vivemos. Mas o tempo, como cantou Cazuza, ele não pára! E nós, se tivermos sorte, oportunidade de aprender e tempo, podemos tentar de alguma forma melhorar e fazer o bem, o melhor.
Criolo, um artista que admiro demais, alterou parte de sua música 'vasilhame' (do álbum "Ainda há tempo") onde, quando a escreveu, dizia num trecho “Os traveco tão aí, oh! Alguém vai se iludir”. Na nova redação diz “O universo tão aí, oh! Alguém vai se iludir”. Justificou a mudança dizendo que "você pode magoar alguém sem saber, não porque é mau, mas porque ninguém falou para você que aquilo poderia ser ruim. O conhecimento é luz."
E o conhecimento ilumina mesmo. Nos mostra coisas que antes não sabíamos, coisas que não enxergávamos, onde os holofotes cegavam e as velas pouco clareavam, mantendo obscura parte que deveríamos saber.
Espero que a moça me perdoe. O rapaz que errou não é mais o mesmo, porque teve tempo e oportunidade. Espero também que a profecia do título do CD de Criolo (Ainda há Tempo), que valeu para ele, valha para os que erram sem saber. Espero que ainda haja tempo e que o calor das iras não se sobreponham ao inverno que une os porcos-espinhos.
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