Eu queria tatuar uma âncora em mim, mas desisti.
Ainda que eu tenha como significado principal dela a estabilidade, calmaria e segurança, não quero mais marcar em mim. Não é nem falta de coragem.
A questão é que, muito embora a âncora signifique tudo isso, ela foi feita mesmo para ser afogada nos mares. Serve para nos fazer sentir o mar e o que ele nos causa. Daí porque não ter como nem querer mantê-la mais permanentemente em mim.
Pensado isto, pus fim a ideia de ancorar em mim mesmo. Pus fim também a ideia de guardar tantas âncoras. Hoje faço pouco uso delas. Entrego-as aos mares, para saberem que ali o destino me fez passar, parar, ancorar. Para fazer saber que, além disso tudo, lá é onde quero ficar, ou voltar, se os ventos mudarem a direção.
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