Em um vídeo publicado na internet, Jorge, da dupla sertaneja Jorge & Mateus, deu uma pagação em algumas fãs em São Paulo que foram até o aeroporto após o show para tietá-lo. Loucas para tirarem fotos e postar nas redes sociais se depararam com o cantor fisicamente cansado da rotina de shows e também de pousar para fotos.
Jorge disse não ser um pôster, mas um ser humano. Disse também que a gente não pode ser fanático pelas coisas. E o melhor: que um abraço ele daria, mas não tiraria foto.
O cantor, que de há muito canta o amor e acaba com o psicológico até de quem não está apaixonado trouxe em seu desabafo um problema que, de tão comum, muitos nem veem mais como um problema: estamos coisificando (reificando, em termos técnicos) as pessoas. E pior: estamos virando fanáticos por essa coisa que fizemos. Ilusão dupla!
Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês que aborda muito bem esse problema da nossa sociedade: de tornar coisa a própria condição humana. Acredita ainda que os valores que a nossa cultura ocidental estabeleu como nobres e elevados cada vez mais diluem-se como a água que escorre das nossas mãos.
Uma foto até então servia para registrar um momento bom, algo que se queira lembrar depois. Mas com tantas mudanças acabamos esvaziando os momentos para enchermos os álbuns. E o que fica é só uma imagem com alguns efeitos e poucos afetos.
É, concluindo esse texto lembrei até do mesmo Jorge cantando uma música de Dorgival Dantas num DVD que ganhei há alguns anos. O nome da música é "Por quê?" e o trecho é o seguinte: "se eu ganhasse um abraço ou um beijo no rosto para mim era tudo, tudo o que eu mais queria".
Te entendo, Jorge. Pra variar...
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