A cultura do estupro e a violência contra a mulher está muito além de determinada classe social e ainda faz parte do nosso tempo, infelizmente.
Trata-se da reprodução de um discurso, e sobre esse, Michel Foucault diz que sua (re)produção "é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que têm por função conjurar seus poderes e perigos, dominar seu acontecimento aleatório, esquivar sua pesada e temível materialidade.".
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Essa cultura, assim como a violência, se dá de várias maneiras. E como muita coisa na vida, é a sutileza que dá a forma. Os acontecimentos estrondosos de manchete só reafirmam a situação conhecida pelas oprimidas e ignoradas pelos opressores e alienados.
A cultura do estupro está no "mulher não paga", no "open bar para elas" que atrai os homens detentores do capital para o ambiente o qual, em tese, elas estariam mais suscetíveis a atender os seus desejos (quase sempre doentios!).
A violência está na situação da submissão de mulheres a determinadas situações por não disporem de condições econômicas para dela sair.
A questão é que não é só o empresário, os "boyzinhos", os maridos do século 20 ou os mais de trinta desumanos que doparam e estupraram a garota que disseminam, reafirmam e reproduzem essa cultura e violência.
Essa é uma responsabilidade de todos. Precisamos discutir e reconhecer que até nós somos responsáveis por isso.
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