Para Vinicius de Moraes, "a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida"...
Assisti novamente há alguns dias enquanto viajava um episódio incrível de uma série brasileira, de Rodrigo Bernardo. "(Des)encontros" é o nome. Está na Netflix. O episódio o qual assisti novamente foi o primeiro, da primeira temporada. Este conta a história de Gael e Lara, interpretados por Paulo Vilhena e Thaila Ayala, respectivamente. Eles foram feitos muito para os dois e se desencontraram desde o início de suas vidas. Se desencontraram mesmo! Enquanto estavam no mesmo hospital, na infância, um estava em uma sala, e o outro na que ficava ao lado; na formatura de Gael, na adolescência, Lara estava, mas não se encontraram; eles dividiam até o mesmo elevador, enquanto Gael ia pro estágio e Lara para as aulas de francês; se desencontraram também numa viagem de três horas de ônibus onde sentariam lado a lado, mas Gael trocou sua passagem, para ficar na janela. E olhe que teve ainda mais desencontros.
Quando definitivamente se encontraram, isso aconteceu num velório. Lá discutiram sobre os desencontros havidos até que pudessem ter a oportunidade daqueles instantes, num momento de desencontro - visto que não podiam viver ou explicitar a felicidade do momento.
Andando até onde estacionaram seus carros, Lara e Gael estavam divididos, pois, como era de costume se desencontrarem, haviam estacionado seus carros em ruas opostas. E então, nesse novo (des)encontro, mais uma vez se desencontraram, cada um para o lado, com a lembrança na memória de que, muito embora muita coisa dê errado em seus vidas, aquele momento que não se sabe se foi encontro ou desencontro, estará intocável, perfeito, acabado.
A vida seguiu para Lara e Gael, como inexoravelmente havia de seguir. O destino dos dois? Não digo!
Hoje, 12 de junho, dia dos que continuam se encontrando, desejo o sabor da fruta e a sorte da tranquilidade.
Aos demais, que é a quem dedico este texto, que um dia se desencontraram e em suas memórias se encontram para depois se perderem, desejo o permanecer da boa lembrança. Porque sabemos, a partir de Vinicius de Moraes, que o eterno e o infinito não existem na chama, mas na boa memória.
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