12 de junho de 2016

"Com açúcar, com afeto"

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Conversava ainda ontem com uma colega sobre o amor hoje em dia. Mais especificamente sobre dizer "eu te amo".
Ela, que é da minha geração, a qual foi condicionada a reprimir os sentimentos e suas expressões com base num discurso falacioso de que demostrar seria banalizar, disse guardar o "eu te amo", quase que monopolizar.
Eu, homem do meu tempo, entendo-a, por isso posso discordar.
Nos obrigaram a não dizer "eu te amo" quando sentimos vontade. Nos disseram o que era o amor. E pior: disseram também o que não era, como se fosse possível mensurar o que acontece dentro das pessoas, como se o que sentimos não fosse digno de tal nome. Colocaram-no dentro de uma caixa, de um papel. E claro, para estes, só existe amor dentro dessa caixa, desse papel.
Sou desse tempo, mas acredito no amor em suas mais diversas formas e sentidos, solto no ar como pena fina e leve, ao sabor do vento. Vejo o "eu te amo" em milhares de bocas, olhos, toques, gestos...
Salvaram meu dia hoje com um "eu te amo". Não foi aquele "eu te amo" suado após meses ou anos de relacionamento amoroso como se aquilo fosse um grande passo. O amor não é um passo, é o caminhar.
Foi aquela simples atitude da senhora do Centro Social que, ao ouvir minha voz no corredor, queixoso por conta de uma dor de cabeça, me abordou, pegou pela minha mão, levou-me a copa e perguntou:
- Meu filho, já tomou café hoje? Ouvi que está com dor. Acabei de passar um café, tome aqui um pouco pra melhorar logo.
Ganhei meu dia e continuo pensando o amor fora da caixa. Hoje recebi um "eu te amo" num copo de café, "com açúcar, com afeto".
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