As pessoas consideradas brutas foram, até hoje, as mais sensíveis e emotivas que já conheci.
Salvo raras exceções, percebam ou procurem saber como foi a criação dessas pessoas. Muito provavelmente num ambiente tenso em que, na maioria dos momentos as emoções eram silenciadas.
Essas pessoas guardaram para si tudo o que sentiam e isso era tão grande de modo que elas precisariam proteger. E o modo com que elas estavam habituadas a fazer isso, no seu tenso ambiente, era repelindo quem chegava.
É um mecanismo de proteção, inclusive. É cuidar-se para não dar a qualquer um tudo aquilo o que guardaram por tanto tempo. Sofreram tanto reprimindo suas emoções que agora a cautela é exacerbada, tanto que machuca quem as provoca.
Meu pai, por exemplo, foi uma das pessoas mais brutas que conheci, mas com um coração de manteiga e lágrimas fáceis. Ao falar do orgulho que tinha de minha irmã ou ouvir uma música na igreja chovia em seu rosto firme.
As pessoas brutas são como diamantes: são feitas do material mais duro que existe, e são, ao início, brutos. E só há duas formas de lapidá-lo: ou com um golpe forte e preciso, ou com um longo e árduo processo contínuo de lapidação.
Pessoas brutas não são fáceis de se ganhar, nem de manter. Se num acertado golpe a paixão nela pegar e o amor permanecer, terá o tesouro em suas mãos; se num exercício de paciência e amor você a conquistar, terá, por merecimento, o maior amor de sua vida.
Não duvide do amor dos brutos, nem do brilho que guardam. Os brutos não só amam, são os que mais amam.
Cuide do seu diamante.
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