Em uma das séries que assisto existe um casal maravilhoso. É entrosado, fiel e leal. O sonho de conexão entre duas pessoas. Os fofos são Marshal e Lily, de How I Met Your Mother.
Apesar de ser uma série, (de ficção) trata-se de um casal distante da utopia. Porque eles brigam, reconciliam, transam após se reconciliarem, sentem ciúmes, se entediam juntos, se completam, se conhecem, enfim.
Mas o que torna o casal realmente verdadeiro é o fato de brigarem. Casais brigam. Alguns mais, outros menos. Mas brigam. Se ainda não brigaram, vão brigar.
Mas veja só: Lily e Marshal criaram um instituto a ser adotado dentro de uma briga: a pausa.
Quando estão em uma discussão em que há algo mais importante a ser feito no momento ou eles estão se machucando, eles pedem a pausa. Então se abraçam, se beijam, se afagam e aquela briga vai ser retomada e finalizada em um outro momento.
A pausa não é utópica. Utopia não é o que está acima de nós, é o que está além. E racionalidade, companheirismo e amor não estão além de nós. Estão em nós ou um pouco acima, onde podemos alcançar, com o tempo, através da experiência.
Pausar uma briga é ferir o nosso instinto. É ferir a nossa vontade de ganhar, de agredir. Isso tudo é muito difícil no exato momento da briga. Agora, fazê-lo é uma demonstração de amor. É saber que aquela discussão ou briga sempre será menor do que o amor e a relação que foi construída ao longo do tempo.
É como pausar um bom filme no meio porque seu amor quer água, pipoca, brigadeiro. É saber que o seu amor está e estará, de fato, acima de qualquer dessas coisas.
Pausar é ter o controle dos conflitos e não ter o controle do amor, porque ele (o amor) não pausa durante uma briga, mantém-se fluindo, ou é aos poucos machucado. Pausar é sabedoria.
06:51


