20 de dezembro de 2016

O amor não é fofinho

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Existe uma lenda urbana por aí que diz que quando a pessoa está apaixonada, erra a mão na cozinha.
Vou contar duas histórias que se ligam.

História 1.

Há quase vinte anos, era mais um dez de agosto, aniversário de mainha. Ela sempre faz os melhores bolos, no entanto, não há lógica alguma em fazer o bolo do próprio aniversário.
Então, minha irmã mais velha, Franciele, sumiu nesse dia. Horas depois, chegou em casa. Estava na casa de nossa avó fazendo um bolo para minha mãe. O bolo, em que pese toda a estratégia, logística e afeto, solou.

História 2.
Hoje, depois de ouvir quase que a semana inteira minha namorada desejando um bolo de chocolate, resolvi fazer. Eu pensei que era uma coisa relacionada à TPM, mas como se manteve por muito tempo, logo vi que tratava-se de um real desejo da minha formiga por chocolate.
Fui ao Supermercado (como disse no texto anterior) e comprei tudo. Chegando em casa, preparei com muito carinho e mandei ao forno. Como sou ansioso e impaciente, fiquei vigiando o tempo todo. O vi crescer, ganhar forma, até chegar ao ponto. Quando tirei do forno... solado!

***
Hoje essas histórias se ligaram enquanto eu dizia a mainha que, na verdade não fiz um bolo, mas um mix de bolo com brigadeiro. Depois disse que era uma torta búlgara, tudo para tentar contornar. Foi aí que ela lembrou do seu aniversário, há quase vinte anos atrás e disse que ela teve muitas comemorações depois daquele ano, mas aquele bolo solado que minha irmã levou para ela sempre vai ser o mais especial.

Bonito mesmo é quem nos ama e valoriza os nossos erros quando tentamos acertar. Talvez por isso eu não veja mais o amor com os olhos tão românticos de modo que ele pareça bem fofinho, como num bolo perfeito. O amor está mais para um bolo solado, porque quem ama mesmo, talvez acabe de vez em quando perdendo a mão.
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