Assisti um vídeo certa feita onde um pai já idoso questionava o filho sobre coisas simples que, na cabeça do filho, o pai já sabia ou deveria saber, e por isso, respondia de forma grosseira, sem paciência. Ao final, o pai explicava que, quando criança, o filho o questionava diversas e diversas vezes sobre coisa similar, e o pai, pacientemente, repetia várias e várias vezes.
O vídeo foi um viral naquele ano. Se fosse nos dias de hoje, as tias e os tios enviariam nos grupos de whatsapp da família, oprimindo os filhos que largam os pais em asilos e nunca vão vê-los, dos que, quando chega a época de tornarem-se pais dos pais, tornam-se, verdadeiramente, os piores pais do mundo.
A interpretação literal do vídeo dá um tapa na cara, provoca reflexões e sensações dignas de envergonhar o mais exemplar dos filhos, mas a reflexão não para por aí.
O mesmo acontece quando, um professor, que está ali para ensinar, que deveria saber que os que estão ali não sabem, age como se todos já soubessem, julgando todos os demais e por vezes constrangendo de forma a diminuir o aluno, sem esquecer que sua função ali é democratizar o conhecimento, iluminar, e sobretudo aprender também.
Não se difere à situação de determinadas pessoas de determinados grupos que, ao perceberem as mazelas que os oprimem, agem como se os verdadeiros opressores fossem de forma deliberada os seus pares, sendo, mais uma vez, driblados pelo sistema, que continua, de forma institucionalizada exercendo seus podres poderes sobre estes e alienação sobre os que eles atacavam, quando deviam informar, sinalizar e, por fim, iluminar.
O fim da reflexão talvez seja melhor concluído com uma observação: o filho só se voltou contra o pai quando não mais dependia dele, quando se desvinculou, quando se viu como um e não como parte de uma família. Talvez estamos onde estamos porque esquecemos que no fim das contas, somos porque somos, que dependemos do outro e que esse individualismo está falido faz tempo.
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