Antes, quando os compromissos eram eventuais e a rotina era minimizada eu tinha um quadro no quarto. Como aqueles das salas de aula, branco. Nele eu escrevia as datas de provas, compromissos, dentre outras coisas que eu não poderia esquecer.
Certo dia a tinta do piloto que eu usava acabou, daí peguei um marcador de texto para escrever nesse quadro. A princípio tudo bem, até brilhava no escuro, era massa, mas logo depois quando olhava para o quadro o que escrevi não estava mais lá.
A tinta servia por um momento, dava até brilho, mas não durava. Era como uma dose homeopática. Servia por um momento, mas só. E para aquilo, para o quadro, eu precisava de algo que marcasse, algo que durasse, ao invés de uma tinta de algumas horas.
Não me furto de refletir sobre as banalidades do cotidiano, essas coisas simples que me fazem decidir as importantes da vida. E talvez essas coisas simples, essas metáforas, esses aforismos sejam o que preciso nos momentos de grande importância.
Do quadro que tive no quarto e repassei a minha mãe, que faz agora o mesmo uso que eu anteriormente fazia, retirei minha lição. Os compromissos tornaram-se habituais e não mais preciso dele, mas precisei, mais do que eu pensava, e acaso fosse novamente usá-lo, escreveria essas palavras, com boa tinta: "Importante. Não esquecer".
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