3 de fevereiro de 2019

Dói, mas vai pro lugar!

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Há uns 15 anos quebrei o fêmur no quintal de casa enquanto tentava me equilibrar numa tábua fina que separava o arenoso do chão de cimento.
Todos os ortopedistas disseram a minha mãe que eu mancaria para sempre, que nunca voltaria a andar do mesmo jeito. Mainha não aceitou e continuou insistindo até que encontrou Dr. Orlando, que disse o contrário e fez um tratamento diferente do que os outros fariam.
Eu passei meses numa cama alta com a perna para cima, presa numa corda que era amarrada na massaranduba do telhado de casa. Foi dor, choro e a perna em carne viva quando o gesso foi retirado.
Não sei se é falsa memória ou coisa que a mente tentou apagar e não conseguiu completamente, mas me lembro de chorar muito por estar ali. Eu era criança, só estava brincando e de repente estava há meses numa cama sem poder andar e ir à rua correr, como "todo mundo" da minha idade fazia.
Não foi a primeira vez que em busca do equilíbrio eu me machuquei. Muitos de nós, em busca do equilíbrio, acabamos nos deparando com situações ruins na vida, com crises de identidade, perdas e prejuízos. É o risco de se viver. Quem não passa por isso também não passa pelo bom.
Isso acontece e deve acontecer o tempo todo porque a vida não é outra coisa senão isso. Muita coisa a gente não entende na hora, nem aceita o acontecer, mas é como eu vi numa postagem, sem descrição do autor, falando de aparelhos ortodônticos: "dói, mas deixa tudo no lugar".
Assim foi com o fêmur quebrado: doeu muito, mas tudo está no seu lugar. Agora me desejem sorte, vou correr na orla.
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