28 de abril de 2015

Nascidos para voar

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Aos 8 anos de idade ganhei do meu irmão um pássaro. É aquele que chamam de papa-capim, todo preto de peito amarelado, acabara de ser capturado. Passei a tarde observando-o, acuado, tímido, estranhando o novo ambiente, até cantava, mas timidamente. Nem voava mais, suas asas só batiam de leve para dar condução e equilíbrio no pulo de um poleiro para outro.

Resolvi soltá-lo, não dava para deixá-lo ali. Ao vê-lo rápidamente bater as asas em direção ao céu e desviando das parabólicas, pude ouvir seu canto. Lindo. Diriam os "experientes" que era um canto embolado, mas acho que era o natural. O seu canto. 

Existem muitas pessoas que são como os pássaros, nasceram pra voar, para cantar da sua maneira, mas estão presos, acuados, sendo induzidos a cantar de uma forma que o outro acha que é a certa e bonita de se cantar. Estão perdendo sua essência, sua liberdade, pessoas essas que têm asas e, acabaram sendo engaioladas por quem parecia só admirar seu canto, sua beleza.

A diferença é que as pessoas podem voar, podem recuperar sua essência, podem ir embora, sair do apartamento, da casa, do quarto, da vida. Podem voar. Não ficam a mercê dos bons corações - sempre irracionais.

(...)

Quem quer ouvir o canto, arruma o quintal. Prepara o jardim... para que um dia, ensolarado ou não, repouse quem tem asas e faça do jardim a sua casa.

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