Parábola do Schopenhauer:
Em um gelado dia de inverno, os membros da sociedade de porcos-espinhos se juntaram para obter calor e não morrer de frio. Mas logo sentiram os espinhos dos outros e tiveram de tomar distância.
Quando a necessidade de aquecerem-se os fez voltarem a juntar-se, se repetiu aquele segundo mal, e assim se viram levados e trazidos entre ambas as desgraças, até que encontraram um distanciamento moderado que lhes permitia passar o melhor possível.
O equilíbrio é necessário para a duração. A intensidade é excitante, mas por ser puramente instintiva, é irracional. A não intensidade é quando já não mais se é. O grude e o desprezo já findaram muitas histórias, embora tenham começado muitas também.
A distância entre o legal e o letal, é pequena. Dosar não é a coisa mais fácil do mundo. Nos testes muitos acabam indo sem acertarem a dose. Um pouco mais hoje, um pouco menos amanhã; quem terá tanta resistência até a dosagem correta?
Não dá pra tirar nossos espinhos, são o que nos mantém na maioria das vezes.
É necessário paciência e tempo.
Paciência para os espinhos e tempo para manter o inverno.
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