A construção do ser nada mais é do que saber e sentir as dores e as delícias de vida. Dor e delícia são duas faces de uma mesma moeda. Andam sempre juntas, embora cheguem, às vezes, em horas diferentes.
A dor precisa ser sentida, digo sempre, reitero os clichês, as obviedades. Sem dor, sem ganho (em qualquer lugar, não só na academia). É com a dor que a gente aprende, é cor a dor que a gente valoriza a delícia. Não há dor eterna nem delícia eterna, se assim fossem, não notaríamos nenhuma delas. São momentos, e por momentos serem, passam. Por isso é tão necessários senti-las de imediato.
Aceito e vivo minhas dores, não as adio, não mais. Assim como não recuso as delícias, vivo-as intensamente, adiá-las? só quando aumentam ainda mais a expectativa do prazer. Intenso em cada sensação, tomando a vida feito vodca, às vezes degustando feito Whisky - sem gelo, claro.
Se engana quem pensa que de alguma forma está se blindando de algo, se engana quem pensa que atrás de máscaras está exercendo força. Na vida real ninguém é super herói. Quem se fecha dentro de si ou sobre si põe um escudo não está se privando de ataques (pior, está acumulando-os por fora), mas da vida.
Ninguém é fraco quando sente. Quem sente é vulnerável.
Fraco é quem blinda sua vulnerabilidade.
Por isso, não hesito, sinto. Sinto, logo vivo.
A vida é o oito ou oitenta, quem quer metade, vive de meias; meias verdades, meios sentimentos, meias saudades. Confortáveis, mas sem frio nem calor. Esperando, sem esperar, que apareça quem os dispa, quem retire as meias, e dê-lhes o frio, o calor, a dor e a delícia de ser, vivo.
23:35


