28 de maio de 2015

Bruta flor

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Depois de mais uma decepção resolveu dar um tempo para si mesma, se conhecer um pouco mais, supunha que o erro estivesse nela, talvez assustasse com sua intensidade, com sua entrega. Não era do tipo de fazer rodeios, ia direto ao ponto, se queria, dizia, se não queria, nem dava bola, não era do tipo que esperava um 'eu te amo' para depois dizer o dela, era só amar que ela dizia. Mas o amor não estava lá dando tão certo pra ela.

Não curtia nada casual, para ela tudo tinha que ser além da pele, por isso o tempo sozinha era pra valer mesmo. E nesse tempo de fuga, refugiou-se nos livros, quase sempre romances. Era feita pro amor da cabeça aos pés. Viveu várias histórias nos livros, amou como ninguém, se entregou em cada página.

Não desistiu do amor, só ficou acumulando-o dentro do peito como quem guarda um lugar na sala pra alguém. E seu tempo sozinha serviu para sentir-se inteira, perceber o quão grande era o seu valor e para perceber que não tinha nela nenhum erro, ela só era intensa e não se satisfazia com doses homeopáticas de afetos.

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