15 de julho de 2015

Colecionador de sonhos

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Minha infância não foi lá muito fantasiosa. Era um moleque curioso, quando me contaram a estória da fada do dente fiquei acordado a noite toda com o dente arrancado embaixo do travesseiro, ela não apareceu e eu fiquei cético até para o papai-noel, que aparecia na propaganda da Coca-Cola todo fim de ano. Ceticismo extremo, nem Nietzsche e Descartes imaginariam tanto para um moleque de tão poucos anos.

A fantasia e os sonhos fazem parte da infância da criança. É o mundo delas. Lá tudo é colorido, tudo é mais bonito, todas as pessoas são boas. Até o mal, quando existe, é fantasia. É um mundo cheio de maravilhas.

Conversava hoje com uns colegas no estágio e um deles disse que sua pedagogia infantil seria baseada na realidade fática, sem muitas fantasias mirabolantes. Discordei, claro. Até onde der, deixarei meus filhos fantasiarem, estarei lá também quando as fantasias forem destruídas pela realidade. Não retirarei deles o gosto da fantasia nem o sentimento e a sensação do encontro com a realidade. Não quero ser a planta que faz sombra o tempo todo e ainda assim quer que a menor cresça. Sei e aceito a inexorável realidade de que existem coisas que, para aprender, é necessário o espaço para a descoberta. 

A realidade, na maioria das vezes, esmaga os sonhos. O medo, como dizia o Chorão, cega os sonhos. Firmo aqui, hoje, o compromisso com minha prole: vão acreditar em papai-noel até onde der.

E o papai? Ah, vou acreditar que sonhar e fantasiar sempre vale a pena, ainda que a realidade muitas vezes queira provar o contrário.

Bom dia, boa tarde, boa noite e bons sonhos!

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