Se eu tivesse uma analista ela provavelmente concluiria que meu perfeccionismo não é consequência do meu signo, e sim de minhas esperas. Diria que a arrumação da casa é a espera das visitas e o quarto com a cama arrumada a espera do corpo que (des)cansaria sobre ela.
Porque a gente que tem essa mania de arrumar, alinhar, limpar é assim, né? Sempre pensa: deixa eu limpar essa porra aqui porque alguém pode chegar e não quero passar vergonha.
Mas olha, são tantas ironias... Outro dia esperava a chegada tão sonhada com tudo arrumado e limpo. Cama, estante, roupas, chão, coração... E nada! Nem uma batida, nem um toque.
Me descuido, me distraio e esqueço a vassoura atrás da porta. E de repente - com sua natureza inconveniente - escuto o som, sinto aquela sensação que me toma dos pés a cabeça - que parece um pouco com raiva, vergonha, com frio, irritação, ansiedade... mas a gente não sabe exatamente se é uma coisa só, ou tudo junto, ou algo indefinido, só sabe que essa porta já foi batida antes, essas sensações já foram sentidas.
Inconveniente, hein? Chega sem avisar, pega de surpresa, às vezes com a casa desarrumada, roupas no varal, chão sujo, algumas coisas fora do lugar, com visita na sala e tudo mais.
De que adiantou tanta organização, tanto perfeccionismo bobo, tanta coisa se resolves aparecer quando não deveria?
Você é uma graça, viu? Entra aí, amor, não-repara-a-bagunça!
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