Eu olhava e dizia: você não existe!
Com escárnio e aquela ironia no olhar, sorria - não me entendia.
Será que o sorriso era teu? A ironia no olhar e o escárnio eu tinha certeza que lhe pertenciam.
Fui dono de cada gesto teu. Fui dono das tuas piadas e das minhas risadas. Dono das declarações e do sorriso apaixonado. Dono do esforço e do cansaço. Do sussuro e do gemido. Dono até de tuas palavras.
Fui dono até das mentiras, porque acreditava.
Fui até teu escultor, porque moldei você da forma mais perfeita em mim e para mim.
Fui dono de tudo porque você não era nada disso. Isso tudo era meu. Era eu, eu e minha fome que era tão grande que viu tanta coisa onde nada havia. Fome das madrugadas em que andava desvairado desejando tanto que sonhei, realizei.
Você não existe.
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