Existe no Processo Penal um princípio que acredito seja o principal, que é o da verdade real. Em síntese: deve-se buscar a realidade dos fatos, isto é, o que realmente aconteceu.
Sem o compromisso com esse princípio muito se diz, muito se cria.
Nesses últimos dias muito foi falado sobre o episódio em que Ivete Sangalo protagonizou uma cena de ciúmes porque, segundo foi dito e, segundo ela viu, havia uma mulher conversando com seu marido. Viralizou nas redes sociais o ocorrido e foi até "memizada" a frase "quem é essa, papai?". Até musica já foi composta por conta do ocorrido. Muitas pessoas também declararam apoio à cantora e repúdio a mulher com a qual o marido de Ivete conversava.
Estou, agora, sem compromisso com o princípio na crítica, pois critico as interpretações e ações supervenientes do referido ato. Mas, é claro, deixo em dúvida todo o acontecido que, inclusive, a depender do contexto, de quem vê, está na situação ou, até, de quem não vê, varia...
Irrita enxergar a presunção de culpa em determinadas pessoas por conta de construções discriminatórias reproduzidas até pelos discriminados. Não sei se é inocência, ignorância ou burrice.
A mulher que conversava, para a maioria, merecia que fosse "passada a porra nela", como Ivete disse que faria. Problema é que, pelo visto, todo mundo esqueceu que a mulher não conversava sozinha. O tal marido, casado desde 2011, com família construída, estava na conversa, mas, para ele, a inocência é presumida, né, "papai?".
Muito cabelo foi puxado e raspado por conta de situações que sequer foram questionadas, por imputações de culpa dirigidas pelas mulheres para as mulheres. Enquanto isso, o bonitão fica lá se achando, desfrutando de seus privilégios.
Não estou dizendo que ele esteja errado, a mulher, certa e Ivete, errada. Só trouxe "o segundo sol", o contraditório, pois os juízes (principalmente os do Facebook) precisam ouvir uma outra versão. Afinal... nunca se sabe.
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