Em uma casa há um garoto pequeno, pais que trabalham fora, uma governanta e uma outra empregada doméstica.
Pela ausência dos pais, que estão a gastar o seu tempo ganhando o dinheiro para manter o conforto, luxo e distância do filho, este é quase que criado pela governanta. Ela lava, passa, faz comida e até conta histórias para o garoto dormir. Sempre foi assim. A verdade foi construída dessa forma e era, até então, absoluta.
Certo dia a Governanta não esteve presente em todas as suas atribuições e a outra empregada doméstica desempenhou algumas de suas funções. Mas aí deu o maior problema, porque na hora de ouvir as histórias, elas tinham um interpretação diferente.
Friedrich Nietzsche disse que não existem fatos, mas interpretações. Mas nesse caso, não só haviam interpretações diferentes, como também outros fatos, omitidos na história anteriormente contada. Eis que adentrava às janelas e frechas das portas daquela casa o segundo sol.
Dia seguinte, ao voltar a casa, a Governanta percebera o garoto de outro modo e se recusando a ouvir e aceitar as histórias da Governanta, sob a sua interpretação, seu ponto de vista.
Ela revoltou-se e, na condição de Governanta, chamou os pais, "fez a caveira" da Empregada Doméstica, disse que esta estava a desvirtuar o pobre garoto, que ainda estava em desenvolvimento, a impor ideologias, concepções religiosas, morais, políticas etc.
Buscou, de imediato, calar a Empregada, tapar os ouvidos do garoto, antes que a casa fosse totalmente dominada por um segundo sol, afinal, entendia a Governanta, com seu astigmatismo político que, dentro da casa "de todos" só havia um sol para brilhar.
Continua...
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