Casal de verdade: Newile Santos e Thauan Vale
Quando perco algo e depois encontro sempre digo aquela frase meio lógica:
- Que droga, só encontrei agora, tava no último lugar que procurei!
Aí digo pra mim mesmo, quase que automaticamente:
- Lógico, né miséria? Você lá ia continuar procurando se já encontrou?
Eu não confio em quem não fala sozinho, são pessoas estranhas, provavelmente chatas, que nos enchem com o que deveriam falar para elas.
Pois então, foi conversando comigo assim sobre o celular que havia perdido que entendi como é quando encontramos alguém. As similaridades são incríveis, até nas diferenças se encontram.
Quando encontramos algo que perdemos e gostamos muito temos aquela sensação de vitória, de afeto imediato por aquilo que havíamos perdido, como quando uma criança encontra um brinquedo perdido.
Quando encontramos alguém também é assim. Chego até a acreditar levemente no Mito do Andrógino, de Aristófanes, quando diz que éramos dois em um, fomos separados e ficamos a procurar nossas metades. Encontrar alguém, como encontrar algo que perdemos, nos dá aquela sensação de já ter tido aquilo e isso ser a base de tanta afetividade, afinidade. É encontrar o corpo que nunca exploramos e já ser íntimo.
Quando encontramos algo que perdemos vamos logo olhando o seu estado, com receio que o tempo em que nos perdemos lhe causou algum dano.
Quando encontramos alguém não é diferente. Temos o cuidado de saber como foi o dia, de onde estava quando se desligou enquanto estava do nosso lado e em viagens outras. Quando encontramos alguém desejamos não só o corpo, mas até a auditoria do pensamento.
E o lógico, quando encontramos o que perdemos, deixamos de procurar.
Quando encontramos alguém, também.
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