5 de julho de 2016

O vazio pesa!

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"O ar tem peso"

Esse era o título de um assunto o qual eu li há muitos anos, ainda no Ensino Fundamental. A imagem que ilustrava a folha do livro dessa matéria que não lembro o nome era a de dois balões, um em cada recipiente de uma balança. A balança era como a de Thêmis, da Mitologia Grega, ou das feiras humildes do interior. O balão cheio de ar estava jogando este outro para cima, por ser mais leve que o balão com ar.

Naquele período eu ainda ia muito ao Supermercado com minha mãe fazer compras, como era cediço todo mês. A ideia era sempre a de economizar. Ela e painho iam, cada um com uma lista, de mercado em mercado conferir os preços. Eu, da minha forma, ajudava furando todos os sacos que seriam pesados no caixa, para que economizássemos. Afinal, tinha descoberto que, o ar, embora eu não pudesse ver, tinha peso.

Passados esses anos esqueci de tudo: fotossíntese, delta, espaço geográfico etc. No entanto, nunca me esqueço daquele dia em que descobri que o ar tem peso; que, embora não vejamos, algo que pode ser confundido com o vazio, ocupa espaço, pesa!

Muita coisa que parece não ser nada, no fundo é. 

Muita coisa que parece não afetar em nada, quase sempre afeta, só que de forma sutíl. 

Se engana quem imagina que as coisas vazias, por assim serem, nada alteram. Elas são como os balões cheios de ar, pesando sem que percebamos, ocupando espaços que poderíamos preencher de outras formas. Elas não só entram, como pesam e ocupam. 

Cantam e alegram-se em cantar e viver com copos cheios e corações vazios. Mais um engano. O coração não está vazio, mas cheio de vazios, ocupadíssimos de vários nadas, dilatados e pesados.

Um coração dilatado, cientificamente falando, chama-se Miocardiopatia dilatada, que é uma doença do músculo do coração que impede o bombeamento adequado de sangue para o corpo, causando complicações como arritmias, coágulos de sangue e morte súbita. Tratar isso, quando é possível, fica caro.

Um coração dilatado, sem o compromisso científico, que é um coração cheio de vazios que ocupam espaços dispõe de um tratamento econômico. Aprendi no Supermercado. A gente vai furando os sacos. Ou melhor, tirando o peso do pesar. Sendo seletivo com o que carregamos. Levando apenas o bom do all inclusive que nos oferecem.

Não é a toa que dizem que nos tempos de crise precisamos economizar. É por essas e outras que acho os Economistas inteligentíssimos (exceto quando Ministros da Fazenda)! 

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