30 de janeiro de 2017

Cidade impessoal

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Quando a gente se sente pequeno (ou quando é pequeno), por decorrência vemos as outras coisas enormes. E foi assim que me vi (pequeno) ao chegar a Salvador, há quase quatro anos e era assim que eu me via muito quando criança em relação a tudo.

Totalmente diferente da impressão de como quando vamos a lugares em que a última vez que fomos éramos ainda crianças. Tudo parece menor.

Acredito que esses acontecimentos sejam decorrentes da própria lógica: quando a gente cresce, mudamos os nossos pontos de vista e ocupamos mais espaço, o que nos faz ver as coisas de um outro tamanho - ou modo.

Ao chegar a Salvador me recordo de ter feito a reflexão sobre o seu tamanho. Cidades grandes sempre me traziam à mente a ideia de que o tratamento é imensamente impessoal, com exceção das periferias que parecem interiores.

Hoje, já habituado a cidade e não achando mais ela tão grande, saí de casa e, após ter dado um pulo na Faculdade fui ao Estágio. No caminho, estava aguardando o sinal fechar para passar na faixa de pedestres, e atrás de mim, naquele sol escaldante de Salvador, uma senhora passava o dedo no ferro de uma placa, onde geralmente ficam botões inservíveis que ludibriam pedestres achando que diminuirá o tempo em que o sinal fica verde para os carros.

Ao perceber a senhora tocando o ferro, lhe disse para desistir que aquilo não funcionava. Ela, sorrindo me disse que estava só passando o dedo ali. Eu olhei e era só isso mesmo. Nem o tal do aparelho tinha ali.

Ao abrir o sinal, andei ao seu lado, para que ela não ficasse totalmente sozinha na faixa, para trás, como geralmente os que os corpos não têm pressa ficam. No meio da faixa e de nossa andada ela disse:

- Obrigada pela atenção.

Ao final da faixa eu já estava pensando no que foi a causa de ela precisar agradecer a alguém por ter falado com ela.

E isso me remeteu à minha chegada. Cidade grande para mim, meus amigos não mais estavam, conhecia quase ninguém, a pouco estava preso, era mais um dentre a multidão. Até os mais breves sinais de educação eram impessoais, porque não sabia o nome de ninguém. Um "Oi" no ônibus fazia com que me sentisse menos deslocado.

Talvez a senhora estivesse se sentindo assim também. Ou vai ver sou só eu delirando com esse calor e mormaço infeliz!
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