15 de maio de 2017

Farol

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Passei por um momento difícil há pouco tempo e me vi em crise, perdido. Eu procurava uma parte de mim que não mais havia. Lembro que nesses dias eu andava em casa, para lá e para cá, como alguém que procura uma agulha num palheiro. Mainha, que sempre foi o mínimo invasiva possível apenas perguntou:

- Filho, você está bem?

Com a voz trêmula, eu respondi que não. Eu não estava bem. Voltei ao quarto. Depois desse dia me restabeleci e lidei com aquilo de uma outra forma. Não mais procurava as agulhas pela casa, a orientação que eu precisava veio com sua pergunta, com sua voz.

Muitas vezes em nossas vidas nos sentiremos perdidos, em muitas outras nós estaremos perdidos, mas ela, presente ou ausente, nos encontrará, nos afagará, repreenderá, pela mão nos pegará e nos mostrará o caminho de casa.

Pode ser de sangue, de criação, de afeto, de consideração. Não importa. O que importa, sabemos: é a voz que mostra o caminho de casa.
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