Não suporto um fone embolado. Ataca o TOC que dizem haver em mim. Transtorno esse que atribuem, inclusive, ao signo que dizem ser o meu. Sobre o fone: gosto dele linear, sem dobras, sem nada que eventualmente vá afetar a estética ou a possibilidade dele funcionar. Isso é coisa minha!
Essa mania com as pequenas coisas sempre influenciam de algum modo nas outras, consideradas maiores. Assim como não gosto do fone embolado, até determinado momento, não gostava também de histórias emboladas, relações emboladas, instabilidades e afins. Idealizava a coisa toda organizada, pontual. Irreal, portanto. Exatamente tudo o que o amor não é.
O que achava ser positivo, até determinado momento, em verdade, não passava de um desnecessário perfeccionismo. Prejudicial, inclusive.
Não é saudável, tampouco provido de nexo desejar relações profundas inteiramente pacíficas e estáveis. É incompatível, uma vez que até nós em diversos momentos entramos em contradição.
Estabelecer relações profundas é ir além de si no outro, sendo portanto uma descoberta, que não será de um todo bom, porque sim assim fosse seria um tédio. Os dias de paz precisam da guerra para terem algum sentido.
Foi com o tempo e minha música preferida aos ouvidos, num fone embolado que descobri: não importa quantas voltas, quantos rolos, quantos passados e tempos alado, o que importa, de fato, é se apesar de tudo, o toque ao ouvido faz-se esquecer de tudo - seja das voltas que deu o mundo antes, ou das que esqueceu de dar enquanto.
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