Andar de ônibus por muito tempo na vida faz com que eu ache associe os percursos diários ao trabalho, faculdade etc. como o próprio curso da vida. Isso deve ser algum tipo de síndrome a ser estudada e nomeada por algum cientista desocupado, ou só mais uma fábula minha criada nesses buzus de Salvador.
Minha vida (viagem) hoje, portanto, foi um curso errante. Siga comigo. Ao invés de Lapa - Garibaldi, peguei Lapa - Centenário. Isso com mais de quatro anos morando por aqui. Só percebi ao ver o ônibus seguindo em direção a Ondina. Perguntei a moça sentada ao meu lado e certifiquei. Segue o baile, segue o rodo cotidiano.
Estar no caminho errado na vida, assim como pegar um ônibus errado sempre nos remete a algum surto reflexivo. Nos remete, portanto, a verificar onde escorregamos para ter caído, ou como nos descuidamos para pegar um ônibus diferente e cair num caminho errado. Gera até a revolta, como ocorrera, da experiência de nada ter valido, pois mesmo com rotina certa, fazendo o mesmo todo dia, ali me encontro, errante.
Estar no caminho "errado" também me fez perceber que o caminho não era tão errado assim, mas apenas diferente. Eu estava seguindo para o lugar que havia planejado em uma outra rota. E assim como é na vida, às vezes o caminho muda para a gente ver algo, passar por algo ou perceber algo. Hoje, no ônibus errado vi a frase de uma música da Maglore, que precisava ser vista por esses verdes olhos: "que se perde muita coisa / muita coisa é pra se perder".
Talvez o caminho errado, ou o contratempo, a aparente perda, lindos olhos, seja pra ser. Seja uma volta a mais para lhe mostrar algo melhor, para um gosto melhor mais adiante.
E tudo de algum modo se conecta, pois no "rodo cotidiano" (minha playlist do Spotify que escuto nessa correria) Falcão gritava: "a arte sempre fala mais".
Fala muito, irmão.
Segue o rodo!
22:08


