1 de agosto de 2017

Alma gêmea

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Assisti hoje, mais uma vez, "Comer Rezar Amar". É um filme incrível que geralmente vejo em determinados momentos de grande reflexão sobre a vida. Foi inspirado num livro, inclusive. Eu até tinha, mas emprestei a minha mãe e ela perdeu num ponto de ônibus.

Uma colega viu que eu assisti o filme (postei no instagram) e tão logo veio comentar comigo sobre sua insatisfação, pois o filme não correspondeu às suas expectativas, uma vez que ela lera o livro e amou muito, mas o filme nem tanto. Compartilhei naquele momento meu pensamento, no sentido de que, de fato, não corresponde, mas é injusto comparar os dois. Aproveitei também e falei da minha parte preferida do livro, que não está no filme, daí lamentei um pouco, porque ainda que a gente eventualmente saiba das coisas, não quer dizer que os cotovelos não doam.

Essa parte preferida, então, fala sobre alma gêmea. Com grande maestria desconstrói-se a ideia do encaixe perfeito, aquela coisa grega do mito do andrógino, das metades da laranja do Fábio Jr etc. Segundo a autora, a alma gêmea é como um espelho. Ela entra em nossa vida para mostrar uma parte de nós mesmos. Ela derruba as nossas paredes e nos acordam com um tapa, depois vão embora. E não dá para viver com elas para sempre, pois é doído demais.

E foi lendo isso que pensei no dilema do livro e do filme: essa sensação de expectativa frustrada. O livro em si, a alma gêmea é algo único. Um evento extraordinário. Irrepetível. Nada vai superar, mas há de se compreender que é vário. Não há como ler novamente um livro pela primeira vez, encontrar a alma gêmea outra vez, ou, no meu caso, encontrar meu livro perdido. Já foi. Serviu para mostrar uma parte de mim que eu não conhecia e agora é espaço para o novo, que intempestivamente virá.

O filme, no caso, é como o novo amor que chega depois da alma gêmea: a gente não vai amá-lo como antes amou, nem vamos sentir como se fosse a primeira vez. Não. Alma gêmea é como a moça que me fez preferir o trecho do livro me falou do primeiro amor, há uns bons anos: dele (primeiro amor) gosta-se mais, dos outros, melhor.

A propósito: o lance do livro perdido é verdade, mas também é metáfora!

E mais: tudo o escrito não é meu, nem o livro perdido. Meu mesmo, só as lembranças do amor de alma, das altas horas e da escuridão, agora iluminada.
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