25 de outubro de 2017

Sorrisos não morrem

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Fui a barbearia essa semana. Levei comigo um livro para passar o tempo até minha vez. Enquanto tentava ler, ouvia a música que lá tocava. Tudo da melhor qualidade: Djavan, Lenine, Legião Urbana, Lulu Santos e por aí vai. Elogiei o som ao meu barbeiro, Anderson, que tão logo disse que aquela playlist era do Youtube com base no que estavam escutando na barbearia no dia-a-dia.

Chegando em casa, fiz o mesmo e deixei o som rolar. E dentre os sons tocou um que há muito eu não escutava: "Dois Rios", do Skank. Assim que ouvi os primeiros acordes fui logo para frente do computador, porque nesse vídeo tem uma cena que acho linda.

Nessa cena, no show, enquanto Samuel Rosa canta "Que os braços sentem / E os olhos veem / Que os lábios sejam / Dois rios inteiros / Sem direção", uma mulher canta sorrindo, e ao final desses trechos, um rapaz a beija no pescoço, e vejo seu sorriso maior como se um cabide tivesse feito morada em sua boca durante toda a vida.

Aquele vídeo foi gravado em 2010, num show que a banda fez no Estádio do Mineirão. Aquele casal, tão lindo, talvez tenham casado e estejam ainda mais felizes, quem sabe com três crianças pela casa, cachorros e gatos, ou não! Podem estar, talvez, separados, formando casais outros, nunca se sabe, há muito desencontro pela vida.

O que fica gravado, no entanto, é aquele sorriso. O que se mantém, na verdade, são aqueles sorrisos que damos entre as brigas, entre as birras, entre os pedidos, os aceites, os deslizes, os beijos, as músicas. Fica, ainda que tudo se vá!

Ela talvez negue a felicidade naquele amor por algum motivo, talvez até por proteção, com medo da boa lembrança. Talvez maldiga-o, ignore-o, mude as rotas e provoque o desencontro. Talvez mate-o dentro de si.

Mas sorrisos não morrem. Eles vão e voltam. Precisam, às vezes, apenas de algo aleatório. Uma música, um cheiro, uma cena ou até, sabe-se lá, uma barba feita.
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